Economia coloca turismo interno em boa fase e nordeste como preferência

Com os destinos nordestinos liderando o rank em vendas de pacotes de viagens, o mercado de turismo interno mantém a previsão de crescimento. Número de desembarques cresceu 2,08% no último ano no Brasil, estimulado por brasileiros que estão conhecendo o país

Por: Maria Gizele da Silva
Não é à toa que se diz que o Brasil tem dimensões continentais. O país possui 7,3 mil quilômetros de costa, com praias encantadoras. Sem contar os 8,5 milhões de quilômetros quadrados de extensão, que reúnem opões de turismo para todos os gostos. A retomada da economia, o dólar alto desestimulando as viagens internacionais e as campanhas em prol do turismo interno fazem o turismo doméstico ser tentador.

O Nordeste lidera a preferência do turista nacional. Destinos como o Porto de Galinhas (Pernambuco), Praia de Jericoacoara (Ceará) e Praia do Patacho (Alagoas) estão entre os mais requisitados. Mas, descendo o mapa do Brasil, o complexo turístico do Rio de Janeiro, a cosmopolita São Paulo, as encantadoras Cataratas do Iguaçu (no Paraná), as praias de Santa Catarina e os passeios românticos no Rio Grande do Sul são atrações que fazem os turistas terem de escolher qual é o melhor passeio.

Nordeste é a região preferida dos viajantes brasileiros

O anuário Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo) 2017 mostra que 67,4% do faturamento das viagens nacionais foram abocanhados pelo Nordeste do país. A preferência dos turistas brasileiros também é comprovada nos números de pacotes de viagens para os destinos nordestinos.

Entre os estados com maior crescimento está Alagoas, que sustentou 70% de taxa de ocupação da rede hoteleira, ou seja, média 3% superior à registrada em 2016.

Um case de sucesso de Alagoas é a política de concessão de descontos no ICMS sobre o querosene de avião. A carga tributária foi de 17% para 12% para as aeronaves que abastecem em Alagoas. A medida acabou atraindo mais voos comerciais para o estado.

O turismo de sol e praia move as cifras do turismo. Entretanto, a parcela de turistas que prefere contato direto com a natureza vem aumentando. Jalapão, no Tocantins, por exemplo, teve 30% mais turistas no ano passado em comparação a 2016. fonte

Salvador – BA / Imagem: Pixabay

Instabilidades econômicas e Dólar alto desestimulam viagens internacionais

Você deve estar pensando: mas, o que tem contribuído para o turismo interno estar em boa fase? A própria concorrência com o turismo internacional é uma explicação. A alta do dólar tem feito muitos brasileiros pisarem no freio e recorrerem a viagens nacionais. O dólar turismo, em meados de maio, estava na casa dos R$ 3,90.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional), Gervásio Tanabe, disse em entrevista à imprensa que o turismo internacional ainda é vantajoso para quem planejou as férias com grande antecedência, prevendo todos os custos e reforçando o caixa para despesas extras. Porém, para quem deseja fazer uma viagem em curto prazo, o destino mais indicado é dentro do próprio Brasil.

Campanha quer alcançar 100 milhões de brasileiros no mercado de turismo

Outro motivo que fortalece o turismo interno é a campanha “Brasil + Turismo”, encabeçada pelo Ministério do Turismo desde abril do ano passado. Ela reforça a divulgação dos destinos nacionais com o intuito de chegar a 2022 na marca de 100 milhões de brasileiros prestigiando o turismo interno. Atualmente, são 60 milhões.

As redes sociais têm sido uma aliada da campanha em massa. Um único post, no qual uma amiga tenta convencer a outra colega a escolher o turismo doméstico em uma conversa de WhatsApp, teve um alcance de 14 milhões de pessoas e 44 mil compartilhamentos. Só no Instagram, a campanha engajou seguidores do Ministério do Turismo, que compartilharam cerca de cinco mil fotos de destinos turísticos brasileiros.

Os aspectos refletem na cadeia do turismo. O transporte aéreo teve uma elevação de 2,08% no número de desembarque nos aeroportos nacionais em 2017 em relação ao ano anterior. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), foram 92,1 milhões de desembarques no último ano contra 90,2 milhões de 2016.

Além do transporte, o nicho movimenta 52 outros setores econômicos, entre eles, alimentação, rede hoteleira, agências, guias, etc. Dados do governo federal revelam que o turismo doméstico representa 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) gerando 10 milhões de empregos diretos e indiretos.

Frente Parlamentar defende a volta dos cassinos

Embora o turismo ainda não desponte como prioridade nas políticas públicas, o setor recebeu R$ 400 milhões em emendas no Orçamento da União no ano passado, conforme a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Turismo.

O presidente da Frente Parlamentar citada, deputado Herculano Passos (PSD-SP), disse em entrevista à assessoria de imprensa que os deputados apoiam a concessão de parques naturais para a iniciativa privada e até mesmo a legalização de cassinos no Brasil.

O último tema, ainda polêmico, é defendido por parlamentares que acreditam nos resultados positivos da instalação de cassinos em complexos de lazer equipados com hotéis, restaurantes e centros comerciais.

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