O mercado do turismo brasileiro para estrangeiros está aquecido

Nos primeiros quatro meses de 2018, visitantes deixaram 2,43 bilhões de dólares nos destinos visitados no país

Turistas estrangeiros gastam mais no Brasil

O mercado do turismo brasileiro para estrangeiros está aquecido. O número de turistas aumentou 0,6% e a receita, 19,63%. O litoral continua sendo o destino mais procurado. A insegurança e as doenças tropicais, que atormentam os nativos, parecem não inibir o olhar estrangeiro para a nação.

Somente em abril de 2018, os visitantes estrangeiros gastaram 499 milhões de dólares no Brasil. No mesmo mês do ano passado, a marca foi de 417 milhões de dólares.

A alta registrada foi de 19,63%. No acumulado de janeiro a abril deste ano, também houve elevação. O crescimento foi de 7,52% em relação ao mesmo período de 2016. No primeiro trimestre de 2018, os estrangeiros gastaram 2,43 bilhões em seus passeios realizados no Brasil.

2017 registrou mais turistas que na Copa

As cifras são um sinal positivo. Ainda mais, se for levado em conta que no ano de 2017, a quantidade de visitantes de outros países superou as estatísticas do ano passado e de eventos realizados no Brasil, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo.

Levantamento da Polícia Federal revela que no decorrer de 2017, 6.588.770 turistas estrangeiros desembarcaram no Brasil. Em 2016 (Ano dos Jogos Olímpicos), o país recebeu 6.546.696 turistas de fora e, em 2014 (Copa do Mundo), o total de 6.429.852. Se as previsões dos órgãos de turismo forem confirmadas, a receita vai aumentar em relação ao último ano.

Quem ganha com isso? A tendência é a de que todos os serviços turísticos ganhem, desde os restaurantes até a rede hoteleira e o setor de transportes. Somente em relação aos serviços de hospedagem, o Brasil tem 31,3 mil estabelecimentos que comportam 2,4 milhões de leitos. Os dados são da Pesquisa de Serviços e Hospedagem (PSH) do IBGE em convênio como o Ministério do Turismo.

Argentinos são os que mais visitam o Brasil

Uma das diretrizes do marketing é entender para atender. Por isso, o próprio Ministério do Turismo levantou a origem dos visitantes estrangeiros. No ano passado, a América do Sul respondeu por 4,1 milhões de turistas enviados ao Brasil. O quantitativo representa 62,4% do total de viajantes.

Os ‘hermanos’ da Argentina ocupam o primeiro lugar no ranking das nacionalidades que visitam os destinos brasileiros. Foram 2.622.327 turistas argentinos em 2017. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 475 mil viajantes, e o Chile em terceiro, com 342 mil pessoas.

O meio de transporte mais utilizado foi o avião, apesar de o transporte por terra ser uma opção entre os países latinos. Dos visitantes internacionais, 63,5% usaram aviões. Outros 2,25 milhões chegaram pelas estradas e 52,5 mil preferiram os cruzeiros marítimos.

As praias brasileiras reinam absolutas na preferência do turista estrangeiro que vem ao Brasil. Os meses de visitação mais requisitados confirmam a predileção: janeiro, com 16,8%, fevereiro, com 13,1% e março, com 8,6%, ou seja, quando o sol do verão favorece o banho de mar.

Destinos mais procurados pelos turistas internacionais

Veja a relação dos municípios mais visitados por viajantes estrangeiros:

  • Rio de Janeiro (RJ): 27%
  • Florianópolis (SC): 19,6%
  • Foz do Iguaçu (PR): 12,5%
  • São Paulo (SP): 7,8%
  • Armação de Búzios (RJ): 7,5%

O percentual de destinos visitados foi demonstrado em pesquisa do Ministério do Turismo, que ouviu 35 mil turistas no ano passado. O turismo de sol e praia atraiu 72,4% dos visitantes de outros países, seguido pelo turismo de natureza, com 16,3% e o turismo cultural, com 9%.

No que se refere ao turismo de negócios, os estrangeiros vêm ao Brasil para se especializar ou fechar contratos nos municípios de São Paulo (44,4% da preferência), Rio de Janeiro (23,6%), Porto Alegre (4,2%), Curitiba (4,1%) e Brasília (3,3%).

Falta de segurança e doenças afastam gringos

O Brasil deseja ultrapassar a marca média de 6 milhões de turistas por ano. Mas, para alcançar este objetivo, ainda precisa ‘arrumar a casa’ para ser um bom anfitrião. Entre os fatores que afugentam viajantes internacionais está a insegurança e as doenças tropicais.

Um ranking de qualidade de vida nos países, elaborado pela ONG americana Social Progress Imperative, coloca o Brasil como o 11º mais inseguro do mundo. O mais inseguro é o Iraque, com 21,5 pontos, enquanto que o Brasil soma 37,5 pontos. O ranking examina indicadores como número de homicídios, terrorismo e mortes no trânsito.

Na saúde pública, a epidemia mais recente que desafiou os organismos de segurança foi a febre amarela. Entre julho de 2017 e abril de 2018, o Ministério da Saúde contabilizou 328 mortes e 1.127 novos casos da doença no país.

Mais histórias