Desbravando o Interior Paulista

Inspirados pelas possibilidades de improviso que a estrada proporciona e munidos de um grande espírito de aventura, a equipe do Descontogo! aceitou o desafio e se jogou por dois dias nas estradas paulistas até Ribeirão Preto sem planos ou roteiros e com pouquíssimo dinheiro. Veja o que eles conseguiram…

Ser livre, cair na estrada sem destino, sem planos, sem dinheiro. Desde que o livro On The Road do então jovem poeta e escritor norte americano Jack Kerouak, do movimento Beatnick, caiu em minhas mãos, essa ideia de viajar sem roteiro não saia da minha cabeça.

Fugindo do carnaval da capital com destino ao interior paulista

Por: Denis Rodrigues
A oportunidade veio com um convite do DescontoGo! em pleno carnaval – mais precisamente em uma segunda feira. Deveríamos Sair da cidade de São Paulo até Ribeirão Preto, registrando tudo o que encontrássemos de interessante no caminho e retornar na terça feira, com verba para dois tanques de gasolina, pedágios e algumas refeições.

Saímos da capital paulista às 4 horas da manhã empolgados com as possibilidades. Pegamos a Rodovia dos Bandeirantes e seguimos rumo ao centro-oeste paulista. Paramos para abastecer apenas na cidade de Vinhedos, terra dos parques temáticos. Aproveitamos para calibrar os pneus do Futurismóvel e seguimos.

Demorou para amanhecer, já estávamos no entorno de Santa Barbara d’Oeste quando percebemos que estávamos sem dinheiro para o próximo pedágio. Resolvemos então parar na cidade.

Rodamos um pouco em Santa Barbara d’Oeste, logo localizamos o centro e os bancos. Santa Barbara d’Oeste é um município simpático, mas pouco organizado em sua sinalização. Na rádio local, ligada no carro, um íntimo e furioso locutor dava bronca nos ouvintes que não se identificavam com nome e endereço no e-mail. Definitivamente estávamos no interior.

Reabastecidos de trocados para os pedágios, voltamos a estrada vicinal que dava acesso à Rodovia dos Bandeirantes. Distraídos, passamos pela entrada da Rodovia e continuamos uns 15 minutos pela estradinha até percebermos que algo estava errado. Foram 30 minutos perdidos até encontrarmos um retorno e finalmente alcançarmos novamente a Bandeirantes.

Paramos para tomar um café num restaurante a beira da estrada e concordamos que deveríamos aproveitar melhor a estrada, ser mais ousados e não simplesmente ir para Ribeirão Preto, onde sabíamos que o delicioso Chopp do Pinguim nos aguardava.

Como eu dirigia, Davi ficou responsável por verificar as placas marrons da estrada, que indicam lugares turísticos. A esta altura já estávamos na Região de São Simão, quando vimos uma placa indicando a Prainha do Tamanduá alí próximo.

Saímos da Rodovia por mais uma estrada Vicinal e chegamos a chamada Prainha do Tamanduá para uma rápida parada.

Uma área de camping estava repleta de barracas dos carnavalescos de plantão, o barzinho da prainha estava lotado também, servindo bebidas diversas para os banhistas que aproveitavam a água límpida e cristalina da água represada de um pequeno córrego que por alí passava, essa era a Prainha do Tamanduá, dava pra ver os peixes coloridos nadando ao fundo. A Prainha é rasa, boa para crianças e adultos se refrescarem sem correr risco algum.

De volta à estrada, não demorou muito até chegarmos em Ribeirão Preto. Lá, fomos direto para o Pinguim confirmar a fama de melhor Chopp do Brasil. Nos deparamos com um ambiente rústico, muito agradável.

Escolhemos uma mesa e fomos atendidos por um garsom. Depois de umas 4 tulipas de chopp cada um, começamos a fazer fotos e filmar o local. Logo o carismático povo ribeirão-pretano se aproximou, pedindo que fizéssemos fotos com eles.

A certa altura (e alguns chopps depois), alguém cismou que eu era o Rogério Flausino, vocalista da banda Jota Quest, e virei celebridade imediata. Todos queriam tirar uma fotografia ao meu lado para guardar de recordação, momento épico da minha vida.

Ribeirão Preto é uma cidade grande (e quente) em meio ao Noroeste Paulista

considerada um dos principais polos de turismo de negócios do país. Lá você também encontra uma gastronômica de primeira, diversos prédios históricos, Teatros e Museus.

Ainda voltando ao trabalho de desvendar o interior paulista, fomos até a divisa com o município de Brodowski, onde passa o grande Rio Pardo, um bom lugar para pescar. Lá também estão diversos clubes como o Clube de Regatas de Ribeirão Preto.

Voltamos a nossa base em Ribeirão para fazer a matéria investigativa sobre o choppeoduto, uma serpentina gigante que passaria abaixo da cidade por dois quarteirões até a chopperia Pinguim – seria esse o segredo do melhor chopp do Brasil?

Terça Feira de Carnaval

Levantamos cedo e fomos para o momento mais radical da viagem. Depois de uma noite chuvosa, pegamos uma estradinha de terra que passa entre a Reserva Ecológica de Ribeirão Preto e aí o bicho pegou.

A estradinha que liga Ribeirão a Guatapará é muito conhecida e frequentada pelos trilheiros offroad. É comum passar Motocicletas Cross e Jipes vencendo as barreiras e obstáculos da estrada.

Nós, com o Futurismóvel com incrível motor 1.0 e tração em apenas uma roda, vencemos quilômetros dessa trilha com bravura até chegarmos na clássica venda do Zé Goleiro, passagem obrigatória para os aventureiros de plantão.

O lugar é sagrado para os trilheiros ou para quem gosta de curtir um petisco e uma cerveja no campo. Frequentadíssimo, o bar hoje é administrado pelos filhos do Zé Goleiro, que mantém o charme rústico do local. Entrar lá é como voltar no tempo.

Lavando a Alma no Tietê

Enfim, deixamos Ribeirão Preto em direção a região de Bauru, onde pretendíamos conhecer as prainhas do Rio Tietê.

Foi uma viagem relativamente rápida e, por isso mesmo, mal aproveitada por causa do tempo escaço, afinal, já passava das 14 horas e voltaríamos naquele mesmo dia para a capital São Paulo.

Triste pensar que deixamos tantas cidades e coisas interessantes pelo caminho, mas o foco naquele momento era conhecer uma grande praia do interior e o Tietê parecia uma ideia maravilhosa para paulistanos acostumados a ver a podridão diária desse rio na região metropolitada. Resumindo: queríamos nadar no Tietê.

Aconteceu. Foi em Igaraçu do Tietê, uma praia maravilhosa com vista para a Grande Represa, despejando milhares de litros de água por segundo na orla dividida entre pescadores e banhistas. Do outro lado estava o município de Barra Bonita, onde iríamos depois.

A Praia do Tietê em Igaraçú é alegria pura. Centenas de pessoas aproveitavam o forte sol da tarde para mergulhar num Tietê inacreditável para quem vem da capital.

O lugar é rodeados por diversos bares, hotéis e pousadas, a música está em todos os lados, garotos sobem nas árvores para saltar direto nas águas limpas do Tietê em piruetas.

A vontade é de ficar lá pra sempre. Nem pensei muito, só tirei a camiseta e entrei na água, que estava refrescante. Mergulhei e sorri imaginando como seria o Rio Tietê limpo em São Paulo.

Saímos de lá com uma ponta de tristeza no coração por dois motivos: ter que ir embora e pensar que poderíamos ter um Tietê limpo em São Paulo se não fôssemos tão egoístas e capitalistas. Mas isso é uma outra história, ainda precisávamos ver a parte do Tietê em Barra Bonita.

Viagens em Barra Bonita São Paulo

Quando chegamos a Barra Bonita, confesso que fiquei gratamente surpreendido pela beleza da cidade. Quem me conhece sabe que eu adoro as cidades do interior de São Paulo e sei que cada uma tem uma identidade muito peculiar, mas a preparação de Barra Bonita para o Turismo é uma coisa linda de se contemplar: a limpeza da cidade, a chamada “orla turística”, os museus, os bares. Tudo agrada.

Em Barra Bonita contemplamos os “Navios” que navegam pelo Tietê, na verdade imensos barcos onde se pode passear pelas águas, apreciar uma deliciosa refeição e, em alguns casos, até dançar ao som de um DJ.

Não tivemos a oportunidade de experimentar uma volta pelo Tietê ou conhecer a badalada eclusa José Bonifácio de Andrada e Silva nas poucas horas que estivemos na cidade, mas da pra dizer que foi um dos melhores lugares que já tive o prazer de conhecer –  a sensação é de estar em uma cidade praiana em pleno interior do Estado… até o cheiro do ar remete a esta sensação.

Havia tantas coisas para se conhecer, tantos lugares a ir que ficamos com a sensação de trabalho não concluído. Mas mesmo se tivéssemos um ano disponível ainda não seria o suficiente para desvendar todos os segredos guardados no interior de São Paulo.

Conhecemos de tudo um pouco: tanto lugares consagrados e turísticos como o Pinguim e as orlas do Alto Tietê como lugares considerados “lado B” e mais frequentados por nativos como a Venda do Zé Goleiro e a Prainha do Tamanduá. Voltamos com a certeza de que viajar sem um roteiro pode ser extremamente gratificante, conhecemos pessoas e lugares que jamais serão apagados de nossas memórias. Com certeza um dia voltaremos lá.

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